Encontro de Gestores: fazendas devem buscar excelência no detalhe da operação ou estarão fora da atividade

Evento da Terra Desenvolvimento reúne 1300 pessoas do Brasil, Bolívia e Paraguai e transforma a gestão de fazendas

O recado foi direto e sem espaço para interpretações: “o produtor ‘mais ou menos’ estará fora da atividade”. A afirmação do CEO da Terra Desenvolvimento, Rodrigo Patussi, deu o tom do Encontro de Gestores, que reuniu 1.300 produtores do Brasil, Bolívia e Paraguai, em Campo Grande (MS), nos dias 14 e 15 de abril. Mais do que um evento técnico, o encontro evidenciou uma mudança no nível de exigência para quem lidera fazendas no país.

“O Encontro de Gestores veio para trazer conhecimento, pois a diferença entre o rentável e o não rentável está no detalhe da operação”, sentenciou Patussi ao elevar a régua da liderança agropecuária. “É por isso que nós estamos aprofundando no conhecimento que supera o dia a dia, ou seja, novas ideias que nos motivam a buscar soluções diferentes”, afirmou.

A plenária lotada e a atenção da audiência ao longo das apresentações reforçaram o momento do setor: não se trata mais de acesso à informação, mas da capacidade de absorver conhecimento e transformar isso em execução no campo.

Nesse novo contexto, o comportamento dos líderes também passa a ser um fator determinante. “Estamos na ‘adolescência’ do futuro. Passamos a viver em um mundo horizontal em que as novas gerações não temem a autoridade vertical como antes”, afirmou Dado Schneider. Ele classifica as pessoas em quatro perfis — velho-velho, velho-jovem, jovem-jovem e jovem-velho — e destaca que, independentemente da idade, há características comportamentais comuns que impactam em todas as gerações. O alerta é direto para quem lidera equipes no campo: “todos vão ter que se entender”.

Produção com resultado: da fazenda ao consumidor
Se a exigência de gestão aumenta, a produção também passa a ser cobrada por resultado mensurável. Ao tratar do bem-estar animal sob a ótica econômica, a pecuarista Carmen Perez trouxe dados aplicados à realidade da fazenda. “O bem-estar animal não pode ser visto como um custo, pois ele faz parte da estratégia do negócio”, afirmou, ao apresentar ganhos como redução da mortalidade, maior peso à desmama e índices mais elevados de fertilidade.

Ao confrontar a plateia com imagens de manejos agressivos, provocou: “Isso é manejo ou uma luta?”. Na sequência, apresentou alternativas práticas baseadas em sua experiência de 24 anos na fazenda Orvalho das Flores, sendo os últimos dez com acompanhamento gerencial da Terra Desenvolvimento.

A conexão entre produção e mercado também foi reforçada na sequência. “O consumidor busca maciez e sabor, mas a suculência vai cada vez ganhar mais espaço, especialmente quando deixarem de confundir a suculência com maciez”, afirmou Eduardo Fornari, do Grupo Vermelho Grill. Segundo ele, a evolução da carne exigiu mudanças na forma de servir. “Nossa carne evoluiu de uma versão rosada e com pouco marmoreio para uma com muito mais sabor e suculência, mantendo a maciez através de genética e nutrição.”

Fornecedor do restaurante, Clóvis Rossi, das Fazendas Indaiá, também cliente Terra, detalhou as mudanças implementadas na produção para atender esse padrão. O sistema foi reorganizado com base em sete frentes: terminação a pasto, melhoramento genético, seleção de matrizes, ultrassom de carcaça, avaliação pós-abate, alimentação direcionada e produção em escala. Ao final, resumiu o posicionamento que orienta sua operação: gostaria de ser lembrado “como um produtor rural que enxerga a produção pecuária e agrícola em movimento, buscando soluções e transformando vidas por meio do trabalho.”

Conhecimento técnico e execução no detalhe
O aprofundamento técnico foi tratado como condição para acompanhar essa nova exigência do setor. Para isso, o evento destinou uma manhã a workshops segmentados, abordando temas como mercado, pastagem, gestão estratégica, agricultura sustentável com biológicos e governança no agro.E o mais legal, que as apresentações foram feitas em salas de cinema.

Na plenária principal, os conteúdos reforçaram a necessidade de integrar técnica e resultado. “O suplemento não pode ser encarado como concorrente do pasto. Deverá ser seu maior aliado para alcançar as metas produtivas e econômicas”, afirmou Gustavo Rezende, ao tratar da relação entre pastagem, suplementação e confinamento.

No campo da sustentabilidade, Daniel Girello trouxe uma abordagem direta ao produtor ao detalhar as práticas com bioinsumos. “Isso não é coisa de ‘bicho grilo’, é produtividade”, afirmou. Ele listou a importância da redução do uso de fertilizantes, detalhando estratégias como biofertilizantes, compostagem e cobertura de solo. “Espero que se sintam provocados em evoluir. Comecem pequeno, mas comecem.”

Futuro e pressão por estratégia
Se a execução no presente exige mais profundidade, o futuro impõe pressão ainda maior sobre a gestão. “Quem não tiver estratégia, logo será a estratégia de outros”, afirmou Thiago Bernardino, ao alertar para o avanço da concentração no setor. Segundo ele, a ausência de planejamento abre espaço para que produtores sejam incorporados por estruturas maiores. O encontro contou com uma manhã restrita aos clientes Terra com Chaker, Bernardino e Ribeiro, da Sicoob com interações e dúvidas dos clientes.

A visão é complementada por Antonio Chaker, do Instituto Inttegra, ao ampliar o conceito de tecnologia no campo. “O super ciclo tecnológico não se trata apenas de uso de Inteligência Artificial, mas de todos os elementos que modernizam a fazenda no mais alto nível”, afirma. Para ele, a decisão passa pela liderança. “É uma decisão dos gestores pensar grande e estruturar modelos para que o negócio cresça.”

Na parte final do evento, o filósofo Clóvis de Barros Filho reforçou a importância do líder. “Excelência é o hábito de tirar de si o que de melhor se pode oferecer ao mundo.” Em contraponto, o medíocre é aquele que faz o esforço mínimo necessário para não se dar mal. “Chega um momento em que, se a vida tiver relevância, vai exigir a nota 10.”

O conteúdo consolidou a principal mensagem do encontro: o agronegócio entrou em um novo nível de exigência, em que conhecimento superficial já não sustenta o crescimento. “Quando houver excelência em cada fazenda brasileira, nosso negócio será insuperável para o mundo”, conclui Rodrigo Patussi. O Encontro de Gestores é realizado a cada dois anos, com a próxima edição prevista para 2028.

Lançamento
A Terra Desenvolvimento lançou no evento a mentoria Confragro. Ela foi apresentada como uma resposta direta a um dos principais gargalos da gestão no agro, que é a tomada de decisão isolada. A proposta parte do princípio de que o erro não está apenas na decisão equivocada, mas no custo de decidir tarde ou sozinho, especialmente em um ambiente impactado por fatores externos como geopolítica, câmbio e mercado global, que não começam na fazenda, mas afetam diretamente seus resultados.

Com formato de um grupo fechado de alta seleção, a mentoria terá duração de 12 meses, com seis encontros presenciais e seis online, reunindo produtores e especialistas inéditos para discussões estratégicas que vão além do técnico. O foco está em antecipar movimentos, reduzir riscos e ampliar a capacidade de decisão, criando um ambiente de troca entre pares e construção de oportunidades de negócio. Mais informações com a Terra Desenvolvimento.

Assessoria de Imprensa
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Fernanda Barros – fernanda@flagcomunica.com.br
Flavia Tonin – flavia@flagcomunica.com.br

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