Pecuarista que conhece seu custo e planeja a produção aproveitará a alta da pecuária, mesmo em cenário volátil

Produção de arrobas a pasto, escala, controle financeiro e uso estratégico do confinamento estão entre os caminhos para responder às oscilações do mercado

A volatilidade faz parte da pecuária, mas seus efeitos não são iguais para todas as propriedades. Oscilações no preço da reposição, da arroba e nos custos de produção podem mudar rapidamente a viabilidade de uma estratégia. Nesse ambiente, conhecer os números da fazenda e ter alternativas produtivas permite ao pecuarista reagir às mudanças e também identificar oportunidades que aparecem durante o ciclo.

A questão central, segundo Rogério Coan, zootecnista e organizador do Feedlot Summit, está menos em tentar prever todos os movimentos do mercado e mais em preparar o negócio para diferentes situações. “O que está pesando na atual conjuntura é a análise de viabilidade econômica e um projeto muito ajustado”, afirma.

Ele explica que essa análise começa pelo custo da arroba produzida e passa pela capacidade de diluir custos fixos. Uma propriedade pode aumentar a produtividade e, ainda assim, não alcançar o resultado econômico esperado se o ganho adicional exigir um custo incompatível com a receita.

Por isso, “escala, planejamento, orçamento, estar bem informado tecnicamente e aplicação correta das tecnologias precisam caminhar junto com os indicadores produtivos”, afirma o especialista que busca em seu evento anual trazer palestrantes que construam esse panorama para o pecuarista. A próxima edição do Feedlot Summit será realizada de 16 a 18 de setembro em Goiânia, GO.

Arroba a pasto entra no centro da estratégia
Produzir mais por hectare não significa necessariamente levar toda a produção para sistemas intensivos. Coan defende que a pecuária brasileira precisa aproveitar sua capacidade de produzir arrobas a pasto e combinar essa característica com outras ferramentas de intensificação quando a conta justificar a decisão.

“Produzir arrobas em regime de pastagem é a base da produção brasileira e esse é o principal diferencial competitivo perante o mundo”, afirma. Segundo Coan, disponibilidade de solo, clima e água cria condições para sistemas de produção capazes de trabalhar com custos competitivos.

A lógica vale para diferentes etapas da atividade. Na cria, passa pelo custo de produção do bezerro. Na recria e engorda, envolve o preço da reposição, o custo do ganho de peso e o valor da arroba produzida. No ciclo completo, exige compreender como cada fase contribui para o resultado final da propriedade.

É justamente nesse ponto que o confinamento passa a ser analisado como parte da estratégia e não como um objetivo isolado de intensificação. “É preciso produzir arroba barata a pasto e usar o confinamento como uma ferramenta estratégica”, afirma Coan. A decisão de confinar, segundo ele, precisa estar sustentada pela análise de viabilidade econômica. Em determinadas situações, a ferramenta pode contribuir para terminação, escala e organização do sistema. Em outras, os números podem indicar outro caminho.

Discussão chega ao Feedlot Summit Brazil
A relação entre produção a pasto, escala, custos, intensificação e análise de viabilidade econômica estará entre os temas do Feedlot Summit Brazil 2026, realizado pela Coan Consultoria nos dias 16 a 18 de setembro, no Espaço dos Ipês, em Goiânia (GO).

A programação discutirá sistemas de recria e engorda e ciclo completo, incluindo estratégias para produção de arrobas a pasto e utilização do confinamento como ferramenta de terminação. Também entram na agenda reposição, perspectivas de mercado, gestão do risco de preços e comércio internacional.

A proposta é levar a discussão de mercado para dentro das decisões produtivas. Para Coan, informação técnica precisa ajudar o produtor a responder perguntas práticas: quanto custa produzir uma arroba, onde existe possibilidade de diluir custos, qual escala faz sentido para a propriedade e em que momento o confinamento apresenta viabilidade.

O encontro reunirá especialistas do Brasil, Estados Unidos, Argentina, África do Sul, Uruguai, Paraguai, Panamá e Bolívia, permitindo comparar sistemas submetidos a diferentes custos, condições produtivas, tecnologias e exigências de mercado.
“A proposta não é reproduzir modelos estrangeiros, mas compreender como os diferentes países trabalham nutrição, sanidade, manejo e gestão diante de limitações técnicas e comerciais próprias”, afirma Coan.

São esperados cerca de 2.000 produtores e técnicos do Brasil e de outros países. Além das palestras, o encontro terá espaços para troca de experiências, como Feedlot Podcast e Buteco do Feedlot.

Serviço
Feedlot Summit Brazil 2026
Data: 16 a 18 de setembro
Local: Espaço dos Ipês, Goiânia (GO)
Inscrições: Feedlot Summit Brazil

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